27 de fev. de 2018

TRAÇA DA BANANEIRA PODE CAUSAR PREJUÍZOS A PONTO DE DIZIMAR PRODUÇÃO


A traça-da-bananeira, além dos prejuízos diretos aos produtores de banana, acaba por criar barreiras fitossanitárias à exportação para países como a Argentina, onde é considerada praga quarentenária. O combate ao inseto demanda medidas que passam pelo exame criterioso dos cachos em casa de embalagem para detectar e eliminar os frutos com sintomas externos da presença da traça, além de outras técnicas como o ensacamento e controle químico para proteger os frutos.
Sob o ponto de vista entomológico a espécie Opogona sacchari, conhecida popularmente como traça-da-bananeira, é considerada uma praga de importância secundária, já que não causa perdas significativas de produtividade para a cultura e prejuízos diretos aos bananicultores catarinenses que comercializam a banana no mercado interno. No entanto, o prejuízo é grande quando cargas de banana, exportadas para a Argentina, são rechaçadas por técnicos que trabalham na barreira fitossanitária da Estação Aduaneira de Dionísio Cerqueira, Santa Catarina, ao constatarem a presença de lagartas em amostras de caixas da fruta inspecionadas naquele local. Isso ocorre devido à traça-da-bananeira tratar-se de uma praga quarentenária naquele país.
A espécie Opogona sacchari (Lepidoptera: Lyonitidae) é uma praga exótica, originária de zonas úmidas das regiões tropical e subtropical da África. Na década de 20 foi observada atacando frutos de banana nas Ilhas Canárias. No Brasil, sua presença foi constatada, pela primeira vez, no estado de São Paulo no município de Guarujá em 1972, de onde se dispersou para os outros municípios produtores de banana do Vale do Ribeira. Em Santa Catarina foram observados ataques a partir do ano de 2003 na região produtora do Litoral Norte. Os municípios catarinenses com histórico de ocorrência da praga são Corupá, Schoereder, Guaramirim, Jaraguá do Sul, São João do Itaperiú, Balneário Piçarras, Barra Velha, Massaranduba e Luís Alves, sendo que os dois últimos municípios se destacam por apresentarem os bananais mais atacados e com maiores índices de rechaços de cargas.

Trata-se de uma praga polífaga que possui diversas plantas hospedeiras, entre elas milho, cana-de-açúcar, haste da mandioca, estipe de palmeiras, além de tubérculos de batata, inhame, bambu-palmas, gladíolo e dália. Em casas de vegetação ataca as plantas ornamentais: Dracaena, Strelizia, Begonia,Bougainvillea, Euphorbia, Ficus, Philodendron. A lagarta pode ainda se desenvolver em cultivos do cogumelo comestível shitake (Lentinula edodes), causando redução na produção. Tem-se observado, com preocupação, o ataque à palmeira real (Archontophoenix spp), cultura em expansão no Litoral Norte catarinense em áreas tradicionais de exploração da bananicultura.
Reconhecimento e aspecto biológico
Adulto: tem hábito noturno e coloração, em geral, castanho-clara, quase palha. Os machos são geralmente menores que as fêmeas, medindo 18,0mm de envergadura e as fêmeas 23,0mm. As asas anteriores da fêmea possuem duas manchas escuras. Seu abdome é mais robusto, enquanto o do macho é mais afilado. As posturas são realizadas, preferencialmente, na região do pistilo (ponta do fruto). Os adultos podem viver até duas semanas.
Ovo: apresenta coloração amarelo-clara e forma elíptica. A fêmea realiza posturas isoladas ou agrupadas e o período de incubação varia de seis a sete dias.
Lagarta: ao eclodir, a lagarta mede, em média, 2mm de comprimento e é de coloração amarelo-clara e cabeça marrom. Ao final da fase a larva alcança cerca de 25mm de comprimento. A duração da fase larval é de 18 dias a 35 dias. Ao completar esta fase, a lagarta tece uma espécie de casulo e empupa junto ao pseudocaule.
Pupa: é de coloração marrom-avermelhada e mede em torno de 12mm de comprimento. A fase de pupa dura, em média, 12 dias. Após, emergem os adultos que se acasalam e reiniciam o ciclo biológico.
Medidas de controle
- Ensacamento: o ensacamento precoce dos cachos com sacos de polietileno reduz, de modo geral, a infestação de pragas que atacam os frutos.
Medidas culturais
- Despistilagem: retirada dos restos florais aderidos aos frutos. Trata-se de uma prática importante porque são os locais preferidos para a fêmea realizar a postura. Esta operação normalmente é realizada na casa de embalagem.
- Descarte: a casa de embalagem deve ser adequada (bem iluminada) e a equipe de embaladores tem de estar capacitada para realizar a inspeção das pencas e buquês e eliminar o material que apresente vestígios de ataque da praga.
Controle químico: o uso de sacos impregnados com inseticidas tem controlado eficazmente a praga. Também é recomendado o uso de “gravata”, ou seja, tiras (10cm de largura por 90cm de comprimento) recortadas dos sacos impregnados com inseticidas e amarradas no cacho por aproximadamente um mês antes do ponto de colheita. A pulverização indiscriminada de inseticida pode agravar o problema de ataque da praga, já que mata os inimigos naturais, como é o caso de vespinhas parasitoides de ovos, que são agentes importantes no controle da praga.
Para resolver ou minimizar o problema com relação à exportação da fruta existe a Instrução Normativa Nº 28, de 07/2009, do Ministério da Agricultura, Pecuária Abastecimento (Mapa), que estabelece os critérios e procedimentos de prevenção e controle da praga, com ênfase no exame criterioso que se deve fazer no cacho de banana na casa de embalagem, detectando e eliminando os frutos com sintomas externos da presença da praga.


POR: José Maria Milanez

4 de fev. de 2018

FATORES DIFICULTAM O CONTROLE DO ÁCARO DA LEPROSE EM CITRUS

Nos últimos anos muitos citricultores têm relatado dificuldades no manejo do ácaro da leprose dos citros em seus pomares, observando menores períodos de controle da população do ácaro após a aplicação de acaricidas e tendo que realizar aplicações adicionais de acaricidas durante o ano para obterem bons resultados. O objetivo deste texto é apontar e analisar possíveis fatores que estejam contribuindo para o aumento da população ácaro da leprose dos citros nos pomares e dificultando o seu controle.

Até o início dos anos 2000, o controle do ácaro da leprose estava baseado nos princípios do Manejo Integrado de Pragas (MIP), no qual a ação de controle ou aplicação do acaricida era determinada pela densidade populacional de ácaros presentes no talhão e também pelo histórico da presença do vírus da leprose dos citros, evidenciada pela presença de lesões da doença nas plantas. O nível de ação de controle, ou a infestação do ácaro para a aplicação de acaricidas, adotado pelo citricultor dependia muito da sua aversão ao risco e variava entre 1 a 10% dos órgãos amostrados com a presença do ácaro, e em casos da ausência de lesões da doença na área amostrada em até 15% dos órgãos amostrados. Para estimar o nível de infestação do ácaro da leprose no talhão, o monitoramento amostral por caminhamento em zigue-zague ou sistemático, era realizado a cada 7 ou 10 dias, em 1 a 2% das plantas do talhão, observando-se em cada planta a presença do ácaro em 3 a 5 frutos ou, na ausência de frutos, nos primeiros 30 cm de ramos. Atingido o nível de ação, a aplicação de acaricidas era feita observando-se a rotação de produtos de diferentes grupos químicos disponíveis e em alto volume. E assim, se conseguia um longo período de controle do ácaro da leprose, isto é, acima de 300 dias entre a aplicação do acaricida e o momento em que a infestação do ácaro atingia novamente o nível de ação estabelecido. Com este manejo, geralmente, com 1 a 2 aplicações de acaricidas por ano, não se observava epidemias de leprose nos pomares. Então surge a questão: O que mudou do início dos anos 2000 para os dias atuais que tornou mais difícil o controle do ácaro da leprose? O clima está mais favorável à multiplicação do ácaro? O monitoramento do ácaro mudou? O tempo de reação do citricultor para pulverizar o talhão infestado mudou? A tecnologia de aplicação de acaricidas está mais falha? Os pomares mudaram e dificultam a amostragem do ácaro e as aplicações de acaricidas? Os acaricidas disponíveis no mercado não são tão eficientes como os acaricidas anteriores? A população do ácaro da leprose está resistente aos acaricidas utilizados? A mistura de acaricidas com outros produtos reduz a eficiência dos acariciadas? O manejo de outras pragas está afetando o controle e comportamento do ácaro?
 
Clima e ácaro da leprose
A reprodução do ácaro da leprose aumenta significativamente durante períodos secos e quentes do ano, quando se tem dias longos, alta temperatura, baixa precipitação pluviométrica e baixa umidade relativa do ar, e, consequentemente, baixa a disponibilidade hídrica no solo. Trabalhos realizados na FCAV/UNESP mostraram que em plantas mantidas com disponibilidade de água no solo a 25% da capacidade de campo por 60 dias, a população do ácaro da leprose cresceu duas vezes mais que em plantas mantidas a 70% da capacidade de campo. Além, disso, alta temperatura e baixa umidade relativa favorecem a evaporação das gotas, principalmente de gotas finas e muito finas, durante as pulverizações de acaricida, reduzindo a cobertura e deposição da calda acaricida aplicada sobre as plantas.

Estas condições de clima foram observadas mais recentemente nos anos de 2013 e 2014, e não por coincidência foram os anos com muitos relatos de problemas de controle do ácaro da leprose.

Monitoramento e amostragem do ácaro da leprose
Como comentado, o monitoramento da população do ácaro da leprose é uma ferramenta essencial para embasar a tomada de ação de controle do mesmo. A amostragem, da maneira como era recomendada anteriormente, incorre em erros de estimativa acima de 60%, e é comum que diferentes inspetores, amostrando o mesmo talhão no mesmo dia, dificilmente chegam a estimativas parecidas. Além disso, esta amostragem não considera o número de frutos nas plantas, isto é, o mesmo número de frutos e/ou ramos são amostrados por planta independente da quantidade de frutos na planta. Para diminuir estes erros de amostragem dever-se-ia aumentar tanto a porcentagem de plantas amostradas por talhão, como o número de frutos e/ou ramos amostrados por planta, levando em consideração a carga de frutos presentes na planta. Também dever-se-ia reduzir o intervalo entre amostragens ou aumentar o número de inspetores em cada amostragem, para tirar uma média entre eles.

Entretanto, com o aumento do custo da mão-de-obra para inspeção de pragas no campo, observado nos últimos anos, o protocolo de inspeção está caminhando ao contrário do que é recomendado e cada vez está menos intenso. Hoje é comum observar nos pomares intervalos entre inspeções acima de 14 dias, e não raro em 30 dias. Adicionalmente, também se observa uma redução no tamanho da amostra por talhão, com menos de 1% das plantas amostradas e com a observação de menos frutos e/ou ramos por planta. Tudo isso leva à maiores erros da estimativa da densidade populacional do ácaro e a uma detecção muitas vezes muito acima do nível de ação de controle estipulado.

Tempo entre a detecção do ácaro e a aplicação do acaricida

O MIP prevê que uma vez que o nível de ação de controle do ácaro da leprose seja atingido no talhão, a aplicação do acaricida seja feita imediatamente. Entretanto, o que se observa nos pomares, na tentativa de reduzir os custos de produção, é que cada vez mais o parque de equipamentos e pulverizadores está mais enxuto e, muitas vezes, não há máquinas disponíveis para a aplicação do acaricida momento da detecção do nível de ação de controle. Desta forma, é comum que de demore mais de duas semanas para que a medida de controle seja adotada após a observação do nível de ação de controle. Isto faz com que no momento da aplicação do acaricida a população do ácaro já esteja em uma densidade acima do nível de ação de controle e, mesmo que o acaricida tenha a mesma eficiência de controle do ácaro (cause cerca de 90% de mortalidade do ácaro), a população residual de ácaro que não morreu na aplicação do acaricida será maior e, consequentemente, levará menos tempo para atingir novamente o nível de ação de controle, resultando em um menor período de controle do ácaro pelo acaricida.

Tecnologia de aplicação de acaricidas e controle do ácaro da leprose
Para um bom controle do ácaro da leprose, o acaricida deve ser aplicado de modo a ter uma boa deposição e cobertura acima de 50% sobre os frutos, ramos e folhas localizados internamente na planta e por toda a copa da planta (saia, meio e topo). Até o início dos anos 2000, era comum o uso de volume de calda aplicada em torno de 8 a 10 mil litros por hectare em pomares com plantas adultas. Visando a redução dos custos de aplicação, mantendo a mesma eficiência de controle, foram realizadas pesquisas para a adequação dos pulverizadores e do volume de calda de acaricida aplicado, aumentando-se o número de bicos no ramal de pulverização e utilizando bicos que produzem gotas finas entre 100 a 200 µm de diâmetro mediano volumétrico para maior penetração das gotas no interior da copa da planta. Concluiu-se que utilizando este tamanho de gota, acaricidas aplicados em volumes entre 100 a 400 mL/m3 de copa apresentam mesma eficiência de controle do ácaro da leprose sem a necessidade de corrigir a dose do acaricida. A partir de então tem-se conseguido um bom controle do ácaro da leprose em pomares adultos com volumes entre 2 a 3 mil litros por hectare.

Entretanto, não é raro ver citricultores reduzindo o volume de calda de acaricida apenas aumentando a velocidade do turbopulverizador ou alterando a pressão de trabalho sem adotar a tecnologia da maneira correta, com adequada calibragem e regulagem do pulverizador e escolha adequada do número de bicos e tamanho de gotas.

Adensamento dos pomares e controle do ácaro da leprose

Em busca de maiores produtividades (toneladas por hectare), principalmente no estágio inicial de formação dos pomares, e pensando na manutenção de um stand de plantas que permita uma boa produtividade mesmo com a eliminação de plantas com greening (HLB), a partir de 2005, verificou-se uma tendência de pomares cada vez mais adensados. Os pomares plantados em 2005 tinham uma média de 440 plantas por hectare, enquanto que os pomares plantados em 2016 apresentaram uma média de 719 plantas por hectare.

O adensamento dos pomares na linha de plantio dificulta a passagem dos inspetores de pragas de uma rua para outra, atrapalhando a inspeção do ácaro, e aumentam o contato entre as plantas, o que facilita a movimentação do ácaro de uma planta para a outra. Já o adensamento entre linhas de plantio dificulta a boa cobertura do acaricida aplicado, pois a copa das plantas fica muito próxima aos bicos de pulverização, muitas vezes até encostando nos bicos e causando uma cobertura desuniforme da calda aplicada, o que deixa áreas da copa sem o acaricida aplicado. O ideal é que os bicos de pulverização estejam a pelo menos 40 cm da extremidade da copa da planta para a boa formação do leque de pulverização.

Resistência do ácaro aos acaricidas

Aplicações sucessivas de uma mesma molécula acaricida acelera o processo de seleção de populações de ácaros resistentes, sendo um dos fatores ligados às falhas de controle do ácaro nos pomares. Existem relatos da resistência do ácaro da leprose para os acaricidas hexythiazox, dicofol, propargite e flufenoxuron. Portanto, a rotação de acaricidas de diferentes grupos químicos e modo de ação é recomendada para o manejo do ácaro da leprose.

Entretanto, hoje há basicamente dois grupos de acaricidas na Lista PIC com boa eficiência no controle do ácaro da leprose, espirodiclofeno e cyflumetofeno, o que dificulta muito um programa de rotação de acaricidas.

Embora ainda não haja relatos de resistência do ácaro da leprose para estes dois acaricidas, mortalidade do ácaro acima de 90% em diferentes populações do ácaro no estado de São Paulo em testes de laboratório, a seleção de populações resistentes com o uso continuado do mesmo acaricida pode vir a ocorrer no futuro e a necessidade de novos acaricidas é urgente.

Mistura de acaricidas com outros produtos no tanque de pulverização

Como forma de reduzir custos de produção, as misturas de produtos no tanque de pulverização são frequentes nos pomares e também podem afetar a eficácia dos acaricidas, devido principalmente às alterações provocadas no pH da calda e na condutividade elétrica, bem como pela possível incompatibilidade entre os compostos.

Além disso, após a detecção do HLB no Brasil, tornou-se praxe adicionar inseticidas para o controle do psilídeo Diaphorina citri em todas operações de pulverização (aplicação de adubos foliares, fungicidas e acaricidas). Pesquisas realizadas na FCAV/UNESP verificaram que os fertilizantes foliares fosfito de potássio, sulfato de magnésio e a mistura dos cloretos de zinco e de manganês com o sulfato de magnésio resultaram na diminuição da eficácia dos acaricidas propargite e acrinathrin sobre o ácaro da leprose. Também observaram, em condições de laboratório, que a mistura dos inseticidas fosmete e imidacloprido com o acaricida espirodiclofeno, embora não apresente incompatilidade física e química, reduziu a mortalidade do ácaro da leprose sete dias após a aplicação entre 28 e 44%. Uma menor eficiência do acaricida na mortalidade do ácaro da leprose refletirá em um menor período de controle do acaricida aplicado.

Novas pesquisas com outras combinações de misturas de acaricidas e inseticidas estão sendo realizadas em laboratório e no campo pela FCAV/UNESP e Fundecitrus e, em breve, espera-se ter uma ideia clara de quais misturas com inseticidas podem afetar os acaricidas no controle do ácaro da leprose. Assim, a recomendação é que à calda de acaricida para o controle do ácaro da leprose não se misturem outros produtos.

Manejo de outras pragas e doenças no controle do ácaro da leprose

A crescimento da incidência de importantes doenças, como a pinta preta e o cancro cítrico no parque citrícola paulista, aumentou consideravelmente o uso de fungicidas ou produtos à base de cobre para o seu controle. Assim como, a necessidade de controle do psilídeo do HLB a partir de 2004, aumentou significativamente no uso e a frequência de aplicação de inseticidas nos pomares. Isso também afeta diretamente o manejo do ácaro da leprose, tendo em vista que muitos inseticidas e fungicidas apresentam efeito sobre inimigos naturais (fungos entomopatogênicos e insetos) que auxiliam no controle do ácaro da leprose e de outras pragas que até então eram secundárias, como ácaros tetraniquídeos desfolhadores e cochonilha escama farinha.


Além do efeito dos inseticidas sobre os inimigos naturais, é bastante relatado na literatura o efeito hormese causado pela aplicação de subdoses de inseticidas, principalmente piretróides e neonicotinóides, estimulando a reprodução (aumento da postura e viabilidade de ovos) ou diminuindo a mortalidade de ácaros em diversas culturas. Embora ainda não comprovado para o ácaro da leprose (estudos estão em andamento), acredita-se que este efeito hormese possa estar ocorrendo devido às aplicações sucessivas de inseticidas para o controle do psilídeo dos citros. As doses dos inseticidas usados para o controle do psilídeo não causam mortalidade no ácaro da leprose, mas poderiam estimular sua oviposição, aumentar a viabilidade dos ovos ou sua longevidade, o que resultaria no aumento da velocidade de reinfestação do pomar após a aplicação do acaricida. Se esta hipótese se confirmar o problema será muito difícil de ser contornado porque ainda não podemos abrir mão do controle intensivo do psilídeo no manejo do HLB.

Concluindo, não existe um único fator responsável pelo aumento da dificuldade de controle do ácaro da leprose e sim uma combinação de fatores que devem ser levados e conta e corrigidos para permitir uma melhoria do manejo do ácaro da leprose e da doença que transmite.


Por Renato Beozzo Bassanezi, pesquisador do Fundecitrus

Edição :AGRO MALHADA

PASTAGEM GANHA PROTEÍNA COM INOCULAÇÃO



De acordo com a Embrapa Soja, a inoculação do capim-braquiária com estirpes selecionadas da bactéria Azospirillum brasilense promove o incremento na produção de biomassa e no conteúdo de proteína. “Com a inoculação, as forrageiras poderão dispor de 25% a mais de proteína, o que irá melhorar a qualidade nutricional da alimentação dos animais”, relatam os pesquisadores da Embrapa Mariangela Hungria e Marco Antonio Nogueira.

De acordo com os especialistas, o Azospirillum brasilense é classificada como “bactéria promotora do crescimento de plantas”, e o principal efeito desse microrganismo é a produção de fitormônios: “Com o maior crescimento das raízes, a capacidade da forrageira para explorar o solo em busca de nutrientes e água é ampliada e permite, inclusive, maior aproveitamento do fertilizante aplicado”.

Segundo a Embrapa, estima-se que o Brasil tenha cerca de 180 milhões de hectares ocupados por pastagens, a grande maioria com braquiárias. Desse total, cerca de 70% encontram-se em algum estágio de degradação.

“A recuperação de áreas com pastagens degradadas de braquiárias, usando a combinação de fertilizante nitrogenado e Azospirillum pode trazer, com baixo custo para o agricultor, um grande impacto na agropecuária brasileira, não só pela maior produção de biomassa, mas também por meio da melhoria na qualidade proteica na alimentação do gado”, relata a pesquisadora.

Além de ganhos qualitativos, completa a Embrapa, a inoculação de braquiária com Azospirillum também traz benefícios ambientais, ao favorecer o sequestro de carbono da atmosfera pela maior produção de biomassa de forragem, estimado em, aproximadamente, 100 kg de carbono por hectare por ano (C/ha/ano). O carbono absorvido pela planta é convertido em biomassa, portanto, para gerar mais biomassa, a planta retira mais carbono da atmosfera.

“São números que ajudam a viabilizar uma agricultura mais sustentável e com responsabilidade ambiental, sendo uma tecnologia em plena sintonia com as metas do governo brasileiro no Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC)”, afirma o pesquisador Marco Antonio Nogueira.

MILHO E TRIGO

Um dos produtos que contém a bactéria fixadora de nitrogênio Azospirillum brasilense (Cepas Ab-V5 e Ab-V6) é o SimbioseMaíz – um inoculante para milho e trigo. “A alta qualidade em sua fabricação faz com que o SimbioseMaíz tenha uma concentração de 5x108 células por ml do produto, sendo essa a maior concentração do mercado nacional de inoculantes para gramíneas”, afirma a Simbiose Agrotecnologia Biológica.
Fonte: Agrolink

29 de jan. de 2018

É PRECISO CUIDAR MAIS DAS ASSOCIAÕES PARA QUE ELAS NÃO ACABEM SEM GERAR FRUTOS.

Associar-se em prol de  objetivos consubstanciados pela ideia da coletividade é uma das premissas das organizações comunitárias identificadas como associações.No município de Malhada são inúmeras que "organizam" e instrumentalizam centenas de munícipes para incrementar em suas comunidades aquele ou aquela atividade que lhes fazem jus as operacionalizá-las. No entanto, com senso de diagnóstico empírico in locus, é acertadamente afirmar que muitas destas organizações estão fora do foco ou distante da real visão que deveriam ter em relação aos seus potenciais.em suma,todos focam e assumem uma postura de associados para o que der e vier...É mais que comum encontrarmos associações criadas por acaso, sem objetivos definidos conforme seus potenciais ,tanto da clientela como do ambiente a ser desenvolvido.É como se fosse peixe tentando viver fora d'água.Sem chances!
Este é o contexto encontrado em muitas comunidades rurais que englobam o cenário campestre do município de Malhada.Antes mesmo de se instalarem como uma comunidade organizada, se apresentam ou deixam transparecer que, se não buscarem a própria capacidade de organização de tempos em tempos ;estarão fadados ao fracasso nos negócios de empreendedorismo coletivo.É preciso focar na opinião própria do grupo e não individual para que o tempo de superação das burocracias seja diminuto ,irrelevante e aceitável.
O hábito de habilitar-se a  enxergar o futuro são para poucos, principalmente quando se refere à ação de empreender para crescer integralmente todos os agentes de um grupo organizado.E não há mais nada ou nenhum elemento mais promissor do que entender este processo.Não importa o seu tamanho no sentido de potencialidade, mas a sua agilidade para conseguir sair na frente quando se participa de processo de financiamento acirrado e muito disputado como é o caso destes programas governamentais . 
Este avanço só ocorrerá quando os gestores municipais,independente de quem seja, implementar políticas de apoio técnico administrativo,reconhecendo a importância que estas organizações exercem no processo de desenvolvimento do município.

11 de set. de 2017

PRODUTORES MALHADENSES APERFEIÇOAM A TÉCNICA DE CLONAGEM MAIS ANTIGA DO MUNDO


https://agromalhada.blogspot.com.br/2017/09/produtores-malhadenses-aperfeicoam.html



Ainda nos tempos de hoje, a estaquia, técnica milenar de propagação de plantas, tem um papel muito importante na clonagem de plantas frutíferas em todo mundo.Mesmo não se caracterizando mais como uma tecnologia contemporânea, agricultores vem se valendo deste conhecimento para propagar frutíferas e antecipar o potencial produtivo das plantas.Como incremento para tal foi incorporado algumas técnicas auxiliares como o uso de enraizadores naturais,material propagativo,substratos e material inerte.Na ocasião foi apresentado aos produtores todos os procedimentos técnicos básicos para propagar com 100 % de eficiência.

Foto: Agromalhada
A estaquia permite reduzir o tempo previsto para produzir seus respectivos frutos.No experimento foi usado estaquia de limoeiro,amoreira,romã, acerola e umbuzeiro.Todas as tentativas foram executadas com êxito e apôs trinta dias de início do evento,as novas brotações apareceram, inclusive com a presença de frutos, uma vez que foram produzidas plantas clones já com a fisiologia e ou estágio fenológico reprodutivo.  
A técnica permite aos agricultores ou aos simpatizantes da propagação de plantas tornar rentável a venda de mudas livres de doenças e com  características fiéis da planta matriz.Dentre os produtos usados,cita-se o uso de vitaminas e ácidos orgânicos para potencializar o enraizamento das estacas.
Foto: Agromalhada   


     

10 de jul. de 2017

ENFEZAMENTO DO MILHO: SAIBA COM CONTROLAR

Resultado de imagem para enfezamento vermelho
www.biogene.com.br

As doenças do milho denominadas enfezamentos são causadas por molicutes (espiroplasma e fitoplasma), que são microorganismos semelhantes às bactérias e têm causado muitos prejuízos às lavouras, especialmente nas regiões mais quentes do Brasil, onde o milho é cultivado em mais de uma safra por ano.

O espiroplasma é responsável pela doença denominada enfezamento-pálido e o fitoplasma é responsável pela doença denominada enfezamento-vermelho. Os molicutes afetam o desenvolvimento, a nutrição e a fisiologia das plantas infectadas, e consequentemente, a produção dos grãos.

As plantas doentes produzem bem menos grãos que as plantas sadias, a redução da produção de grãos na planta doente pode chega a 70% em cultivar susceptíveis às doenças. Os últimos surtos epidêmicos da doença superaram esse índice de perda nas regiões oeste da Bahia, sudoeste de Goiás, Triângulo Mineiro e o noroeste de Minas Gerais.
Sintomas do enfezamento

Os sintomas se manifestam mais na faze de produção das plantas.

Enfezamento-pálido
Manchas cloróticas e independentes na base das folhas que, posteriormente, se juntam e formam bandas grandes;
Entrenós menos desenvolvidos;
Planta com altura reduzida (enfezadas);
Brotos nas axilas das folhas;
Colmo e folhas adquirem cor avermelhada.



Enfezamento-vermelho
Plantas severamente enfezadas (ou seja, menor altura);
Maior intensidade da cor vermelha;
Perfilhamento abundante nas axilas foliares e na base das plantas.


Como ocorre a transmissão

A transmissão da doença ocorre de uma planta de milho doente para uma planta de milho sadia por um único inseto-vetor, denominado de cigarrinha do milho. As cigarrinhas são pequenos insetos, que apresentam coloração amarela-palha, com duas manchas circulares negras bem marcadas no alto da cabeça, o que permite diferenciá-las de outras cigarrinhas comumente encontradas na cultura do milho.

Reveja a palestra online “A cigarrinha do milho prejudicou sua safra? Saiba os cuidados que deve tomar para se prevenir e como proceder com o manejo.”

As cigarrinhas-do-milho sugam a seiva das plantas de milho e se inserem no interior do cartucho das plantas, o ciclo biológico do inseto é influenciado pela temperatura, mas em média dura cerca de 25 dias.

Os espiroplasmas e fitoplasmas são adquiridos pelas cigarrinhas durante a alimentação do inseto nas plantas doentes. Esses microorganismos atravessam as paredes intestinais, caem na hemolinfa (“sangue dos insetos”), se espalham por diversos órgãos e passam a se multiplicar no interior dos insetos, principalmente nas glândulas salivares de onde são inoculados em plantas sadias quando as cigarrinhas iniciam o processo alimentar.

Quando a cigarrinha adquire os molicutes, ela se torna transmissora da doença enquanto viver.


Como controlar

O controle da doença é feito através de medidas preventivas que os agricultores devem adotar. Dentre elas:
Evitar semeadura do milho próximo a lavouras mais velhas e com alta incidência de enfezamentos;
Semear mais de uma cultivar de milho;
Tratar as sementes com inseticidas registrados no Ministério da Agricultura para controlar a cigarrinha;
Sincronizar a semeadura do milho com o período de semeadura adotado para a maioria das lavouras da região.
Interromper temporariamente o cultivo em regiões de alta infestação para eliminar tanto as doenças, quanto os insetos vetores.
Não deixar na área plantas de milho voluntárias (tiqueira), que podem servir de reservatórios do inseto e dos enfezamentos para os cultivos de milho subsequentes.
Utilizar cultivares de milho com resistência genética aos enfezamentos para minimizar os danos causados pela doença;
Evitar a semeadura tardia do milho.


Fonte: Successfull Farming

DIMINUI A POSSIBILIDADE DE OCORRÊNCIA DE El Niño NO BRASIL PARA SAFRA 2017 A 2018

As chances de ocorrência de El Niño diminuíram bastante no último mês. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), mesmo que haja confirmação, o fenômeno será de baixa intensidade.
Com a chegada do inverno, as baixas temperaturas podem provocar a formação de geadas no Sul, Sudeste e em Mato Grosso do Sul, neve nas áreas serranas e de planalto no Sul do país, e friagem em Rondônia, Acre e sul do Amazonas.
Na região Norte há possibilidade de ocorrência de temperaturas médias abaixo do normal, isso favorecerá a incidência de friagem, principalmente no sul do Amazonas, Acre e de Rondônia.
Na região Nordeste a estação chuvosa segue até agosto, favorecendo a ocorrência de chuvas que podem ultrapassar o volume de 100 milímetros em um único dia. As temperaturas serão mais amenas ao longo da costa e no interior da região, se inicia um período seco, com temperaturas altas e baixos índices de umidade relativa.
A região Centro-Oeste já está passando por um período seco. A tendência é que a umidade relativa do ar nos próximos meses fique abaixo de 30%, com picos mínimos abaixo de 20%. As chuvas devem ficar entre normal e abaixo da média para o inverno. O período seco deve vir acompanhado de temperaturas média acima do normal, especialmente entre agosto e setembro.
Na região Sudeste o tempo seco também terá predominância, especialmente em Minas Gerais. As chuvas vão permanecer dentro do esperado, exceto em São Paulo e Rio de Janeiro que serão acima da média. Em algumas regiões as massas de ar frio podem provocar temperaturas baixas e formação de geadas, contudo as temperaturas em grande parte da região devem permanecer acima da média.
No Sul do país, as chuvas devem permanecer acima da média. O aumento de frentes frias vai contribuir para maiores variações de temperatura ao longo dos próximos meses, mas elas permanecerão abaixo da média, o que favorecerá a formação de geadas, contudo essas devem ser menos intensas que em 2016.